Entre úteis e inúteis paisagens

By celsoduarte

picture by daniggnacio

 

Li num blog um texto chamado “Inútil Paisagem”, que dizia algo assim:  ”Belas paisagens, dessas que ficam por muito tempo à nossa disposição, só nos comovem em duas ocasiões: quando surgem e quando somem. No intervalo, na rotina que transforma qualquer contemplação em olhar à toa, aquele cenário acaba por ficar comum, tão previsível quanto relógio de repartição pública.”

 Achei legal, pois quando iniciei este blog com o nome “Inútil Paisagem”, tinha como objetivo compilar alguns textos de outro – meu primeiro blog chamado “Paisagem na Janela”, o qual estava prestes a “deletar”. Como vemos, são muitas paisagens e algumas janelas.

 No afã de criar algo novo, encontrei no WordPress um visual leve e organizado. Uma dinâmica aplicada na web com todas as possibilidades de uso aplicativo com os recursos necessários disponibilizados de modo prático e até intuitivo. Contém algumas ferramentas que ainda preciso aprender a usar.
Vim prá cá e convidei alguns amigos.

Voltando ao nome que escolhi para este novo blog – “Inútil Paisagem”, este poderia ser uma referência a uma das mais lindas composições de Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, carregada de imagens que nos remetem às praias do Rio no início dos anos 60. Em sua concepção poética, tudo pode perder sentido diante da possibilidade de ausência da mulher amada. Aí sim, a paisagem se torna inútil quando o poeta pergunta:

 

“De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem…?”  

 

 

 

 

Caetano Veloso, em sua fase tropicalista, parafraseou Jobim com uma composição chamada “Paisagem Útil”. Vivíamos então numa era de efervescência cultural, da contracultura, do protesto diante do crescente avanço da ditadura. Parece que os criadores da bossa nova estavam merecendo algumas alfinetadas dos jovens e esclarecidos autores da Tropicália, tanto pelo aparente comodismo e pela ausência de crítica e postura social nas letras românticas da bossa nova.

“Paisagem útil”, uma música, simples por sinal, recebeu um arranjo diferenciado e imponente do maestro Damiano Cozella.

 A letra, uma contemplação da paisagem urbana do Rio e a citação de uma Lua Oval da Esso que se acendia e flutuava no céu da cidade, nos versos de Caetano, deu um toque pop e mostrou que existia no país uma paisagem útil aos olhos e interesses capitalistas da época, bem diferente da inútil paisagem de Jobim.

 

“Mas já se acende e flutua
No alto do céu uma lua
Oval, vermelha e azul
No alto do céu do Rio
Uma lua oval da Esso
Comove e ilumina o beijo
Dos pobres tristes felizes
Corações amantes do nosso Brasil”

 

Passados 40 anos, comemoramos os 50 anos da bossa nova com saudades dos tempos do amor do sorriso e da flor. A musica de protesto sumiu das paradas e os jovens parecem não estar mais preocupados com essa forma de expressão. Enfim, está mais que provado que apenas com a música não se muda uma sociedade e não se derruba um governo. 

Não quero falar só do passado. O passado às vezes se torna uma espécie de referencia incômoda, principalmente quando no presente a crítica e os ideais estão ausentes na nossa música popular.

Mesmo assim, quando as idéias são claras os textos aparecem do nada no papel. Por isso gosto tanto de escrever estes textos inúteis. È uma maneira de pensar e interagir. No final, resolvi ficar com o nome da música de Tom Jobim… Inútil Paisagem, outra vez.

2 Respostas para “Entre úteis e inúteis paisagens”

  1. Marceláah Disse:

    ameei essess teextoos (Y)

  2. noemi martins Disse:

    Olá,querido (A)
    amo todos os tipos de paisagens, porque elas sempre nos trazem algo para refletir.
    bõa tarde

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